Apreciem a beleza do céu estrelado
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Apreciem a beleza do céu estrelado

O presidente da SGI, Daisaku Ikeda, e o astrônomo brasileiro Ronaldo Mourão nos convidam a olhar o céu e as estrelas e observar a íntima relação da nossa vida com o vasto Universo

Trecho extraído e adaptado do livro Astronomia e Budismo: Uma Jornada Rumo ao Distante Universo,1 p. 25-36.

Daisaku Ikeda: O Universo é imensurável e magnificente. Se fôssemos capazes de expandir o nosso coração para o cosmos, veríamos que o nosso mundo, onde as pessoas entram em conflito por causa de dinheiro, fama, egoísmo e inveja, é pequeno e insignificante. Da mesma forma, veríamos quão tolos são os homens ao se odiarem e se matarem em guerras. Por isso, recomendo que todas as pessoas estudem astronomia.

Ronaldo Mourão: Concordo plenamente com sua recomendação. A astronomia faz com que os homens adotem a humildade em seu comportamento.

(...)

Ikeda: Creio que o cultivo de uma visão universal tornar-se-á cada vez mais precioso na arte da educação. A propósito, o que motivou o seu interesse pela observação do céu?

Mourão: Foi, sem dúvida, a beleza do céu estrelado. O céu era para mim como um poderoso ímã. Os corpos celestes me atraíam muito por serem belos e luminosos, e eu ficava fascinado com a imensidão do Universo. Tudo tinha um aspecto de contemplação, admiração e êxtase. Tornei-me um amigo das estrelas. Quantas vezes, em noite estrelada, não parei para olhar o céu e fiquei me perguntei romanticamente: “Que mistérios haverá por trás daqueles pontinhos brilhantes? Que segredos haverá por trás daquela lua cheia plantada no escuro impenetrável?"

Ikeda: Creio que entendo o seu sentimento. A beleza das estrelas que cintilam no espaço celestial convida os homens a uma viagem de sonhos e surpresas. Atraídos provavelmente por esse romantismo, os homens esboçaram, desde os tempos remotos, o traçado das constelações interligando as estrelas, deram asas à imaginação e criaram lendas e mitos que são contados até os dias de hoje.

O cintilar das estrelas dá a sensação de falar algo para quem as observa. Palavras de conforto para os tristes, de parabéns para os eufóricos, de coragem para os desiludidos, de diligência para os preguiçosos e de serenidade para os revoltados. Quando se dialoga com as estrelas, o homem é capaz de retornar ao seu “eu” original. Na vida diária, cheia de dificuldades e preocupações, ao olhar sem querer para o céu estrelado, as pessoas podem sentir em seu corpo o pulsar da grande energia do Universo e estimular assim a esperança no amanhã. Infelizmente, hoje em dia, tornou-se difícil ver as estrelas no céu sobre as grandes cidades. Espero que o nosso diálogo sirva aos leitores como um meio para conversar com o romântico Universo.

Mourão: Compartilho inteiramente com seu sentimento de que “a beleza das estrelas que cintilam no espaço celestial convida os homens a uma viagem de sonhos e surpresas”. Bela e poética essa colocação. Que o brilho das estrelas possa trazer os mais belos sonhos e as mais gratas e lindas surpresas para a humanidade. Deveríamos sempre permitir que nosso coração viaje pelo Universo em uma sublime fusão entre nós e o cosmos. É apenas uma simples colocação, mas tenho a sensação de que os astros que circundam o Universo são nossos amigos e protetores.

Ikeda: Que maravilhosas palavras – as estrelas são nossos amigos, são nossos protetores! O budismo expõe que o Sol, a Lua e as estrelas protegem as pessoas durante o dia e a noite, desde o amanhecer até o anoitecer. O budismo ensina o correto caminhar pela jornada da vida com amplo coração e forte coragem, tendo as estrelas como amigo e protetor.

(...)

Ikeda: O Universo é, de fato, permeado por ininterrupto e vivo movimento rítmico. As estrelas, os astros, o ser humano e todos os fenômenos estão em constante mutação. O budismo, a cristalização da sabedoria oriental, expõe que a transformação básica do Universo ocorre de acordo com o princípio de “formação, continuação, declínio e desintegração”. Essa é a dinâmica visão budista sobre o panorama da ininterrupta e viva evolução de todos os fenômenos do Universo mantendo a inter-relação e a interdependência. O Universo se move ininterruptamente de acordo com seu místico ritmo, ditando que “o instante é a própria eternidade” e que “o eu é o próprio cosmos”.

Nota:

1.   MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas; IKEDA, Daisaku. Astronomia e Budismo: Uma Jornada Rumo ao Distante Universo. Tradução: Getulino Kiyoshi Nakajima. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2017. p. 25-36.

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